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Bernardo (Benny) era um adolescente que não dava muito nas vistas mas que tinha um grande sorriso e um grande coração. A ligação com a sua família e amigos, Rugby e Escuteiros, fez dele a pessoa que ele era. 

Quando ele passava tempo com as pessoas que amava, a fazer as coisas que gostava, ele era o mais feliz.

Neste artigo, prestamos um tributo ao Benny e celebramos a sua vida com alguns dos seus amigos e família mais próximos.


Paula Dourado, Mãe do Benny disse-nos que o Benny era “um rapaz inteligente, bom aluno, com ideias fortes”. Ele era “amigo dos seus amigos, dedicado e nunca desistia.” Ela vai-se lembrar dele como “um ser humano maravilhoso com um sorriso do tamanho do mundo”.

“Do meu ponto de vista, ele viveu bem e intensamente, como um jovem adolescente devia ser – com paixão e distribuindo felicidade a todas as pessoas que conhecia.” Paulo Dourado, Pai do Benny.

Escrito pelo Irmão do Benny, Rodrigo.

Quando o Benny nasceu, o Diogo (meu irmão) quis chamar-lhe São José, que era o nome da escola em que estudávamos na altura. É o nome de um santo, que o Benny era, eu via-o como um rapazinho feliz. Não tão pequeno quando começou a ter barba numa idade tão jovem. Chamávamos-lhe o nosso lobisomem.

O Benny era a minha principal motivação para me levantar cedo de manhã porque eu levava-o à escola todos os dias às 8h30. Costumávamos ouvir RFM de manhã e ouvir o programa do Nilton. Ele estava sempre a pedir-me para mudar a estação de rádio para podermos aproveitar aquela manhã cinzenta e triste de segunda-feira com umas risadas. Era só eu e ele, de manhã, a rir ou a cantar, a ouvir piadas na rádio e a ter algumas das mais profundas conversas que já alguma vez tive com os meus irmãos, sobre a vida, o futuro, a nossa mãe, pai. O Benny sempre foi um bocado introvertido mas desde pequeno que ele não se preocupava com isso, mesmo que soasse mal. Ele era aquele tipo de miúdo, ele era simplesmente um miúdo despreocupado. Ele era humilde, via toda a gente com uma mente aberta e tentava sempre ajudar os outros.

Quando ele se juntou ao Caldas Rugby, ele começou a fazer amigos e cada vez queria ir mais vezes porque conforme ia crescendo ia-se preocupando mais com a sua saúde. Eu sempre pensei que fosse por causa de uma rapariga.

O Benny juntou-se com orgulho aos escoteiros de S.Martinho do Porto quando tinha 6 anos de idade. Alguns dos seus amigos dos escoteiros juntaram-se à equipa de rugby e vice-versa por causa da sua influência.

Uma coisa que nos tornou, a mim e ao Bernardo, diferentes dos outros é que ele era aquele que realmente me ouvia. Ele aplicava tudo o que de bom eu tinha que ensinar, e mesmo quando eu ensinava coisas más, ele escolhia sempre ser bom. Ele tinha que ouvir todos os lados da história antes de formar opiniões.

Vou sempre tê-lo perto do meu coração.

Escrito por um dos melhores amigos do Benny, Afonso Montargil.

O Benny sempre sentiu necessidade de ajudar aqueles que amava antes de se ajudar a si mesmo, e tinha sempre um sorriso na sua cara, não importava as circunstâncias.

Uma das minhas memórias favoritas do Benny é sem dúvida a primeira vez em que nós (eu, o Benny e o Zé) saímos juntos, fora do rugby e da escola. Ficámos nas Caldas durante a tarde, e lembro-me que tivemos uma épica batalha de água. Foi o princípio de muitas memórias e conquistas. O Benny tinha essa qualidade, ele tornava coisas simples em coisas extraordinárias.

Escrito por Pedro Agostinho, Chefe do Agrupamento de Escuteiros (Agrupamento 869 S. Martinho do Porto) do Benny.

O Benny entrou no agrupamento aos seis anos e fazia em outubro próximo 10 anos como escuteiro. Sempre foi um elemento muito interessado e com muita vontade de aprender, tornando-se com o passar dos anos numa referência para os elementos mais novos que iam entrando.

Em todas as secções por onde passou foi sempre “Guia” das suas equipas e neste ano escutista era o seu primeiro ano como Guia na III secção, cargo inteiramente merecido pela dedicação e exemplo que sempre demonstrou, bem como pelos valores e conhecimentos que foi adquirindo ao longo dos anos.

Era um elemento com uma forte presença e uma enorme alegria que contagiava todos os que o rodeavam, tinha um coração enorme e de amizade sincera. Foi sempre muito amigo do seu amigo e sempre pronto a ajudar os outros, desde os mais pequeninos aos mais velhos.

Viveu e seguiu os conselhos de Baden Powell ao pormenor, tanto no que diz respeito a “…o melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros…”, mas principalmente no “…Procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes e quando vos chegar a vez de morrer, podeis morrer felizes sentindo que ao menos não desperdiçastes o tempo e fizestes todo o possível por praticar o bem…”

Deixa a saudade e a lembrança do que muito contribuiu para a felicidade dos outros, e deixou de certeza o mundo muito melhor do que aquilo que o encontrou.

O Bernardo Dourado ficará para sempre na memória do Caldas Rugby Clube.

O “Benny”, como sempre o tratámos e o tratamos, representa para nós o que deve ser um jogador de Rugby: COMPROMETIDO com a equipa e com o Clube, DISPONÍVEL para treinar, jogar, participar e ajudar em tudo, EMPENHADO em ganhar, e sendo, ao mesmo tempo, filho, estudante e um jovem cidadão exemplar.

Um pequeno exemplo ilustra bem o “Benny”. Aquando de um torneio de sub-16, organizado pelo nosso Clube, e na ausência de árbitros disponíveis das equipas participantes, disponibilizou-se para arbitrar todos os jogos, sendo aceite pelos adversários também para arbitrar os jogos do Caldas RC. Amava o Rugby em tudo o que este Desporto representa.

Seria, certamente, um dos nossos grandes jogadores séniores, porque tinha qualidade técnica e tática para tal, mas muito mais do que isso, perdeu-se um valor seguro para a nossa sociedade. António Ferreira Marques, Caldas RC.

Rest in peace Benny.